R$ 1 milhão em bolsa e quase R$ 2 milhões em mala: transportar dinheiro em espécie é crime?

  • 16/02/2026
(Foto: Reprodução)
Motorista foi flagrado por policiais com R$ 1 milhão em bolsas, em Catalão. Valor foi apreendido Em tempos de métodos de pagamento modernos, rápidos e mais seguros, como o pix, o transporte de grandes quantias de dinheiro em espécie chama a atenção não só de quem fica sabendo da atitude, mas também da polícia. Nos últimos quatro meses, Goiás registrou casos de apreensões de valores que levantam o questionamento: transportar cédulas de dinheiro é crime? Segundo autoridades e especialistas ouvidos pelo g1, a resposta é: depende da origem. De acordo com a Delegacia da Receita Federal em Goiânia e com o Banco Central, não há limite legal para portar dinheiro em espécie. Assim, na prática, pouco importa se uma pessoa está transportando mil reais ou R$ 1 milhão. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Goiás no WhatsApp Os recentes flagrantes de transporte de dinheiro em território goiano, sendo alguns com destino a outros estados, foram: Mochila com R$ 1 milhão dentro de carro: No dia 15 de outubro de 2025, policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) encontraram o valor com um homem, em Goiânia. Como ele não soube explicar a origem do dinheiro, o suspeito poderia responder por lavagem de dinheiro, além de posse ilegal de arma de fogo, segundo a Polícia Militar. A investigação do caso ficou com a Polícia Federal. Passageiro de ônibus com R$ 850 mil: Também nesse caso, o dinheiro estava escondido em uma mochila. No dia 7 de novembro, o ônibus, que havia saído de São Paulo e ia para Brasília, foi interceptado na BR-153, em Hidrolândia, na Região Metropolitana de Goiânia. De acordo com a Polícia Militar, a abordagem foi feita pelo Grupamento de Intervenção Rápida e Ostensiva (Giro) após um compartilhamento de informações com o serviço de inteligência da polícia. O passageiro, um idoso de 66 anos, foi levado à PF, onde foi autuado por lavagem de dinheiro. R$ 1 milhão em duas bolsas: Na madrugada de 18 de dezembro, dois homens que transportavam o dinheiro foram abordados por uma equipe do Comando de Operações de Cerrado (COD), da Polícia Militar, em Catalão, no sul de Goiás. Ao revistarem o carro onde a dupla estava, os policiais encontraram os maços de cédulas de R$ 100 (veja o vídeo no início da reportagem). Questionados sobre a origem, os dois ficaram em silêncio, e, por isso, a quantia foi apreendida. Os homens, no entanto, não foram presos. Nesse caso, a investigação ficou a cargo do Grupo Especial de Investigação Criminal (Geic), da Polícia Civil. Quase R$ 2 milhões em mala: No dia 29 de janeiro, policiais do COD encontraram R$ 1,7 milhão, na BR-050, em Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. O dinheiro estava no porta-malas de um carro que seguia de São Paulo para Brasília. Segundo a Polícia Militar, os dois homens que estavam com o dinheiro teriam dito primeiramente que iriam comprar um carro importado, de luxo. Depois, eles mudaram a versão, dizendo que era para o pagamento de um advogado. O valor foi apreendido e os suspeitos foram levados para a Delegacia de Polícia Federal, em Brasília. Em novembro, a polícia apreendeu uma mochila com R$ 850 mil, em Hidrolândia Divulgação/ Giro/ Polícia Militar Em todos os casos, os nomes dos envolvidos não foram divulgados. Por isso, o g1 não localizou as suas defesas. Como explicar a origem De acordo com a delegacia da Receita Federal, em abordagens policiais valores altos sem documentação podem ser apreendidos e motivar investigação por suspeita dos seguintes crimes: Lavagem de dinheiro; Sonegação fiscal; Corrupção; Evasão. Motorista e o passageiro de um veículo foram abordados transportando o valor de R$ 1 milhão, em Goiás Divulgação/Polícia Militar Para evitar problemas, a Receita Federal recomenda que o portador do dinheiro leve sempre comprovantes, como declaração de Imposto de Renda, notas fiscais, contratos e recibos. Além disso, movimentações em espécie acima de R$ 30 mil precisam ser informadas à Receita por meio da Declaração de Movimentação de Valores em Espécie (DME). As informações de como fazer a declaração podem ser conferidas no site da Receita. LEIA TAMBÉM Veja o que se sabe sobre mochila com R$ 850 mil achada com passageiro de ônibus VÍDEO: Polícia apreende quase R$ 2 milhões escondidos em mala dentro de carro em Goiás Motorista é flagrado com R$ 1 milhão em bolsas e valor é apreendido O que dizem especialistas Nem todos os casos de apreensão de grandes quantias de cédulas têm origem criminosa. Apesar dos avanços nas opções de pagamento, há, por exemplo, pessoas idosas ou com dificuldades de lidar com meios eletrônicos que ainda optam por transportar e pagar com o chamado "dinheiro vivo". O advogado criminalista Marcelo Di Rezende explica, porém, que a polícia pode apreender o dinheiro de qualquer pessoa se suspeitar de alguma ilegalidade. "Essas pessoas que ainda fazem tal prática devem sempre ter em mente que a origem desse dinheiro em questão tenha como ser comprovada sempre, seja por meio de documentos ou testemunhas", afirmou. O especialista acrescenta, ainda, que, caso seja comprovada a origem, nada impede que o dinheiro apreendido no momento do flagrante seja devolvido depois, com a apresentação da devida documentação. Victor Constante, advogado especialista em direito societário, chama a atenção também para os casos que envolvem valores movimentados por empresas, prática ainda adotada, por exemplo, por alguns empresários do agronegócio. "Em estados com forte presença do agronegócio, de empresas familiares e de atividades no interior, como Goiás, ainda é comum o uso de dinheiro em espécie por tradição ou facilidade operacional", disse. Segundo o especialista, a empresa precisa comprovar a origem lícita dos recursos, manter a escrituração contábil regular e respeitar a separação entre o seu caixa e o patrimônio pessoal do sócio. "A ausência desses cuidados pode gerar questionamentos não apenas criminais, mas também tributários e societários", afirmou. A Polícia Federal informou ao g1 que a apreensão e a custódia de valores seguem a competência investigativa e judicial do caso. Não há previsão legal para envio automático de dinheiro apreendido à Polícia Federal, nem exclusividade da instituição sobre esse tipo de bem. O g1 questionou a Polícia Federal de Goiás especificamente sobre os desfechos dos casos de Goiânia e Hidrolândia, mas a assessoria de imprensa disse que a instituição não fala sobre investigações sobre apreensão de dinheiro. O g1 procurou a PF de Brasília, onde a apreensão de Cristalina foi registrada, e a Polícia Civil de Goiás, onde o caso de Catalão foi registrado, mas não obteve retorno de ambas até a última atualização desta reportagem. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/02/16/r-1-milhao-em-bolsa-e-quase-r-2-milhoes-em-mala-transportar-dinheiro-em-especie-e-crime.ghtml


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