O que o descobridor do Cometa Halley tem a ver com a extinção de cabras na ilha paradisíaca mais remota do Brasil?

  • 18/01/2026
(Foto: Reprodução)
O que o descobridor do Cometa Halley tem a ver com cabras deixadas na ilha da Trindade Rodeada de mistérios até hoje, a Ilha de Trindade — ponto mais longe do litoral brasileiro, a cerca de 1.200 km da costa do Espírito Santo — sofreu uma grande devastação da área de mata a partir do século XVIII. Um problema que surgiu após a introdução de cabras no local por um dos cientistas mais famosos do mundo: Edmond Halley — sim, o mesmo descobridor do Cometa Halley.🐐☄️ Os animais chegaram à região em uma viagem do "desbravador" até a Ilha de Santa Helena, entre o Brasil e a África, por volta de 1700. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Ao g1, o professor do departamento de Botânica da Universidade de Brasília (UnB) Paulo Câmara explicou que o objetivo era garantir alimentação para futuros viajantes. "Tudo indica que o Halley passou em Trindade para fazer observações astronômicas. Mas, antes, ele parou em Santa Helena, onde pegou as cabras". "A ideia é que se um náufrago chegasse à ilha, teria o que comer. O que, claro, nunca aconteceu", disse Câmara. Cabras que habitavam a Ilha de Trindade e acabaram com a vegetação local (Espírito Santo) Reprodução/TV Gazeta As consequências foram desastrosas. Sem serventia para o propósito original, as cabras se reproduziram e se tornaram pragas responsáveis pela extinção das plantas no arquipélago. "Elas comem praticamente tudo. Comem plantas com raiz, semente, fruto... E também tem o efeito do pisoteio, que interfere na vegetação", afirmou o professor. LEIA TAMBÉM: 'ROCHAS DE PLÁSTICO': Lixo ameaça arquipélago quase inabitado mais distante da costa brasileira DIA A DIA: Como é a rotina de militares e pesquisadores que moram em misterioso arquipélago brasileiro PESQUISAS: Fungos de samambaias gigantes e solo de Trindade viram alternativa para pesticida natural O professor titular do Departamento de Botânica do Museu Nacional, Ruy Valka Alves explicou que outros animais também foram incorporados ao local, como porcos, ovelhas e galinhas. Os bichos foram deixados para trás por portugueses que chegaram a morar na região no século XIX. Além dos animais, os próprios moradores lusitanos deixaram uma significativa degradação humana no paraíso natural. Initial plugin text "Alguns cientistas trabalham com o número de 700, 800 cabras, e centenas de ovelhas, burros e outros animais domésticos", disse o professor. "Ninguém nunca fez um censo de verdade. Em qualquer lugar e momento da história, inclusive hoje, não é fácil traçar uma estimativa. [...] É possível ter vivido cerca de 3 mil animais na ilha, simultaneamente", informou. Mortes em massa De acordo com Ruy Valka, foi preciso um trabalho árduo dos pesquisadores para que as cabras desaparecessem da região. Ele disse que acompanhou o início da ação de extermínio dos animais e que, para isso acontecer, muitas reuniões foram realizadas, com direito a manifestações de especialistas. Ilha de Trindade quando era povoada por cabras, em 1974 Sergio Cardoso de Novaes/Arquivo "Entrei em contato com a Marinha [responsável pela Ilha] e disse que a água potável da ilha ia acabar, porque ela depende da vegetação. As Forças Armadas se mexeram, entenderam que o risco era real e, depois de muitos anos de negociação, os fuzileiros foram finalmente colocados em uma missão", afirmou. As diversas tentativas de erradicação, conforme pontuou o pesquisador, começaram a ser feitas em 1957. Houve "missões" também entre as décadas de 1990 e 2000, mas que precisaram ser feitas em etapas, devido a alguns problemas de execução. Em 2002, por exemplo, o relevo de Trindade dificultou o acesso a muitas localidades e apenas cerca de 200 cabras (das 800 estimadas) foram eliminadas. Outra dificuldade foi que muitas cabras encontraram abrigo em áreas isoladas, o que causou o atraso da ação da Marinha. Em certa ocasião, os atiradores precisaram usar até um helicóptero. Somente em 2005, mais de 30 anos depois do início do projeto de erradicação das espécies invasoras, os últimos caprinos foram eliminados. "Nesses 20 anos sem cabras na ilha, a vegetação mudou muito. Atualmente, tem até uma cachoeira, que antes não aparecia. Ela chegou a ser citada na literatura, por volta de 1600, mas só agora apareceu de novo. Houve um impacto significativo", conclui Valka. Praia das tartarugas na Ilha da Trindade é cercada por vegetação e rochas. Reprodução/Yara de Mello Nova ameaça: cadê as cabras para ajudar? Embora tudo parecesse resolvido na região, há cerca de uma década, um novo problema começou a preocupar os especialistas: a disseminação da planta que coloca em risco de extinção uma espécie de grama que só existe na Ilha de Trindade. A ironia, porém, é que a Guilandina, como foi nomeada, era controlada especialmente pelas cabras. "O mecanismo da Guilandina é por competição de água, ou seja, sugando os líquidos do capim e matando ele de sede. Agora, como elas não têm um predador, começaram a se proliferar. A expectativa é que, daqui a algumas décadas, esse capim suma", afirmou Paulo Câmara, que reforçou, ainda, que essa descoberta aconteceu em 2012. De acordo com os pesquisadores, essa ameaça pode se tornar, inclusive, da mesma magnitude que a provocada pelos mamíferos. "Pode, sim, se tornar uma verdadeira praga", destacou o professor. Conheça a Ilha da Trindade Foto: Arte/g1 Ilha com rochas de plástico: veja fotos do local isolado onde a poluição marinha afetou a formação geológica Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/01/18/o-que-o-descobridor-do-cometa-halley-tem-a-ver-com-a-extincao-de-cabras-na-ilha-paradisiaca-mais-remota-do-brasil.ghtml


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