Mulher relata violência psicológica sofrida em relacionamentos abusivos: 'Tentavam colocar em mim uma culpa que eu não tinha'

  • 15/03/2026
Onde Ela Estiver: série especial aborda violência contra a mulher O ciclo da violência contra a mulher pode até parecer uma equação simples de entender. Mas, na prática, ele começa com sinais quase invisíveis, pequenas agressões, controle, manipulações, que muitas vezes passam despercebidos. Sara Cardoso, professora, viveu isso em dois relacionamentos abusivos. No início, interpretava o ciúme e o sentimento de posse como algo “controlável”. Até o momento em que deixou de ser. “Eram pessoas que tinham ciúme e que alegavam que ficavam transtornadas daquela forma porque eu era uma mulher muito bonita, porque chamava atenção, ou seja, eles tentavam colocar em mim uma culpa que eu não tinha”, detalhou em entrevista ao Bom Dia Paraíba, na série Onde Ela Estiver. Durante o segundo relacionamento, a possessividade passou a se tornar perseguição e controle, minando a liberdade de Sara. “No último relacionamento, os sinais começaram a ficar mais evidentes. Em qualquer lugar que eu estivesse, ele conseguia me achar. Quando eu ia discutir isso com ele, ele dizia que era cuidado, que era zelo, que era tentando me proteger. Ele me limitava à obrigação de estar sempre com ele.”, contou. O isolamento característico da violência psicológica também fez parte dos relacionamentos de Sara. A professora relata que o comportamento tóxico era frequentemente justificado como cuidado. “A gota d'água foi quando, assim, quando eu me vi sozinha. Quando realmente eu olhei para um lado e para o outro e vi que eu não conversava mais com ninguém. Que eu não visitava mais a minha família e só tinha aquela pessoa que me silenciava o tempo todo", detalhou. A violência psicológica não deixa marcas físicas, mas toma o controle da vida da vítima, que pode acabar relativizando o contexto abusivo. A socióloga Evellyne Tamara explica que esse tipo de violência simbólica é silenciosa. "Reagir é difícil, porque toda a estrutura social naturaliza isso que a gente tem como norma. Mas isso não é natural, isso é social, é construído”, explicou a socióloga Evellyne Tamara. Para além do relacionamento, Sara conta que a pressão externa também contribuiu para o ciclo abusivo. “Por ser muito jovem e não ter condições financeiras de seguir a vida, a gente vai permanecendo ali achando que é a única opção que a gente tem. Por questões também de cunho religioso, de receber orientações espirituais. A gente tem sido ensinada a detectar esses abusos. Os homens não têm sido ensinados, na mesma proporção que as mulheres, a mudar esse comportamento”, concluiu. Canais de denúncia A violência psicológica ainda é naturalizada e invisibilizada. Entretanto, esse tipo de agressão está previsto no Código Penal a partir da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340). Assim como fez Sara, é importante quebrar o ciclo de controle e formalizar a denúncia. Mulheres vítimas desses contextos de controle e abuso podem procurar canais de atendimento, como: 180 - Central de Atendimento à Mulher 190 - número emergencial da Polícia Militar 197 - número para denúncia da Polícia Civil O que é feminicídio? Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

FONTE: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2026/03/15/mulher-relata-violencia-psicologica-sofrida-em-relacionamentos-abusivos-tentavam-colocar-em-mim-uma-culpa-que-eu-nao-tinha.ghtml


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