'Minhas pernas paralisaram', 'Pessoas correndo', 'Medo de estar aqui': brasileiros relatam insegurança após ataques entre EUA, Israel e Irã
02/03/2026
(Foto: Reprodução) Bauruense relata tensão após alerta de mísseis e cancelamento de cruzeiro em Dubai
Brasileiros em Dubai, Teerã e outras cidades do Oriente Médio vivem dias de medo desde o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que provocaram retaliações e fecharam aeroportos na região.
Em meio a explosões, sirenes, cancelamentos de voos e comunicações instáveis, muitos relatam correria para buscar abrigo e a incerteza sobre quando conseguirão voltar para casa (veja um dos relatos no vídeo acima).
A influenciadora digital, Ana Lorenzetti está acompanhada do agente de viagens Carlos Volpe e de um grupo de 17 turistas no cruzeiro que partiria de Dubai e visitaria outras cidades do Emirados Árabes e também do Catar e Bahrein. Eles embarcaram no sábado (28) e na mesma noite receberam alertas de mísseis e drones na região.
“O momento mais tenso foi na noite do sábado, quando o governo mandou alertas, o que deu medo. Alertas no nosso celular, pedindo para ficar em segurança por causa dos alertas de mísseis. Tivemos uma noite de nervosismo, tensão, mas onde tudo ontem foi voltando aos trilhos”, relata.
A empresária Nayara Araújo relatou momentos de tensão em Dubai após os ataques. Moradora de Goiânia, ela está no país a trabalho.
“Naquele momento de desespero de madrugada, quando a gente começou a ouvir as primeiras explosões, minhas pernas paralisaram, eu tentava mandar mensagem para o meu irmão falando: ‘Cuida do meu filho’. Só conseguia pensar nele”, relatou em uma postagem.
Já o brasileiro tricampeão mundial de jiu-jítsu William Salvino estava na capital Teerã para treinar a seleção local quando as primeiras explosões começaram.
“Quando ouvi o primeiro bombardeio, chegou até a estremecer o prédio que eu estava, de tão forte que foi. Levantei meio atordoado, sem saber onde estava ainda. Muitas pessoas correndo com a mão na cabeça”, contou, em mensagem enviada à noiva logo após o ataque.
O médico e diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp) de Campo Grande, Sandro Benites, teve o voo de volta ao Brasil cancelado e segue em Dubai. Benites estava de férias desde o dia 19 de fevereiro.
“Ouviu-se alguns estrondos, todo mundo ouviu na cidade. A gente não sabe se foi interceptação de míssil. Tem muita notícia, muita fake news, muita inteligência artificial circulando. Vários passeios turísticos foram cancelados", disse.
EUA e Israel realizam ataque coordenado contra o Irã
Um gaúcho que mora com a esposa e os dois filhos em Dubai há 10 anos relatou ao g1 os momentos de temor pelos quais a família.
Fabricio Leite recebeu dois alertas de emergência no celular em um intervalo de 7 minutos. O comunicado das autoridades locais citava "ameaça potencial de míssil" e pedia para que se buscasse "abrigo imediato na construção segura mais próxima".
A família mora em uma residência de três andares e passou próximas horas no térreo. "Perto do banheiro, que é o nosso abrigo", ressalta Fabricio.
Um grupo de 22 moradores do Espírito Santo está em um navio em um porto de Dubai, nos Emirados Árabes, sem previsão de retornar ao Brasil.
O grupo estava na parte interna do navio prestes a jantar quando recebeu a notícia dos bombardeios. "Era a hora do jantar, em torno de 20h. Alguns mísseis já tinham caído aqui e drones."
Nayllane Aquino, de 29 anos, relatou momentos de tensão vividos nos últimos dias, em Dubai. A baiana viajou pela primeira vez para o Emirados Árabes.
"Nesse momento, eu sinto muito medo de estar aqui, no meio de tudo isso que está acontecendo. Como nunca passei por uma situação dessa, a ansiedade ataca também bastante, estou muito ansiosa e infelizmente não consigo fazer nada", relatou.
Destruição em Teerã após ataques dos EUA
Reuters
Guerra EUA e Israel x Irã
Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado (28), o que deflagrou uma guerra entre os três países. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas.
Os bombardeios mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão da cúpula militar e de governo iraniano. Ao todo, 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques ao país, afirmou a organização humanitária Crescente Vermelho do Irã em atualização nesta segunda-feira (2).
Em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, o Irã disparou mísseis contra o território israelense e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Essa troca de ataques continua desde então, com bombardeios diários contra Israel e Irã, sendo presenciados em outros países da região.
Os EUA informaram no domingo que três militares do país foram mortos desde o início da guerra, e Trump prometeu "vingá-los".
"Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização", afirmou o presidente dos EUA no domingo.