Lula inclui reunião de última hora com membros do Brics durante passagem pelos Emirados Árabes
23/02/2026
(Foto: Reprodução) Banquete oferecido em homenagem à visita do governo brasileiro.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá um encontro de última hora com membros do Brics no Emirados Árabes Unidos, segundo apurou o g1 e a TV Globo.
A reunião deve ocorrer entre esta segunda (23) e terça-feira (24) durante a parada na capital do país, Abu Dhabi.
🔎O Brics é o grupo que reúne algumas das principais economias emergentes do mundo. Entre os países que compõem o bloco estão Brasil, Rússia, Índia, China e Emirados Árabes.
Lula faz um giro pela Ásia. Passou pela Índia na semana passada e, agora, está na Coreia do Sul, onde faz visita oficial nesta segunda a convite do governo sul-coreano (veja foto acima).
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Na ocasião, Brasil e Coreia do Sul assinaram 10 acordos sobre cooperação em diferentes áreas do comércio e em minerais críticos.
Os países também traçaram um plano de quatro anos que estabelece relações bilaterais em áreas como política, economia e intercâmbios (leia mais abaixo).
A parada no Emirados Árabes já era programada para abastecimento da aeronave no retorno ao Brasil.
A inclusão da reunião está sendo tratada como um compromisso breve, de cerca de uma hora, ainda com detalhes em definição entre as equipes diplomáticas.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o encontro não terá status de visita de Estado nem previsão de assinatura de acordos.
Os Emirados Árabes Unidos passaram a ser membros plenos do Brics em 2024, quando entrou em vigor a ampliação do bloco que foi aprovada na cúpula de Joanesburgo, em 2023.
Lula mantém relação de diálogo com o país, com foco em investimentos, energia e comércio. O país esteve presente na Conferência do Clima da ONU (COP 30), que ocorreu em Belém, no Pará, em novembro do ano passado.
O Emirados Árabes são vistos pelo governo brasileiro como parceiro estratégico no Oriente Médio.
Giro pela Ásia
Lula iniciou a viagem pela Ásia logo após o Carnaval. O primeiro país visitado foi a Índia, onde participou de do Fórum Internacional sobre Inteligência Artificial.
O encontro, que teve sua primeira edição no Reino Unido, ocorre anualmente e reúne governos para debater regras de governança, segurança e uso da tecnologia.
Além do evento, Lula também se reuniu com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para tratar do fortalecimento das relações bilaterais e de temas como comércio, tecnologia e cooperação internacional.
Na Índia, o Brasil também assinou o primeiro acordo sobre minerais raros, ainda em estágio inicial, na forma de um memorando de entendimento, para que os dois países possam trocar experiências sobre a exploração, o processamento e o desenvolvimento de tecnologias ligadas a esses minerais.
Na sequência, o presidente brasileiro seguiu para a Coreia do Norte, onde está no momento. A Coreia do Sul é um parceiro econômico relevante para o Brasil.
Desde 2024, o país asiático já anunciou cerca de US$ 8,8 bilhões em investimentos no território brasileiro. Quase 80% desse total está concentrado na chamada indústria de transformação.
No comércio bilateral, o fluxo entre Brasil e Coreia do Sul somou US$ 10,8 bilhões no ano passado, com superávit de US$ 174 milhões para o lado brasileiro. Entre os países da Ásia, a Coreia do Sul é o quarto maior parceiro comercial do Brasil. No ranking global, ocupa a 13ª posição.
Movimento estratégico
O giro de Lula pela Ásia é visto pelo governo como um movimento estratégico para ampliar a presença internacional do Brasil num momento de reacomodação geopolítica, ao fortalecer relações com potências emergentes como Índia e Coreia do Sul e diversificar mercados além da China.
Para diplomatas e analistas, a rodada de encontros reforça o esforço brasileiro de abrir novos espaços em cadeias produtivas estratégicas, valorizar commodities como terras raras e reposicionar o país em debates globais sobre inovação e multilateralismo.
As terras raras e outros minerais críticos se tornaram insumos centrais na economia global porque são indispensáveis para tecnologias de alto valor agregado — como baterias, semicondutores, equipamentos de energia renovável, veículos elétricos e aplicações de inteligência artificial — justamente em um momento de disputa geopolítica pelas cadeias produtivas do futuro.
Países asiáticos que lideram esses setores, como Índia e Coreia do Sul, têm ampliado acordos internacionais para garantir acesso estável a esses recursos, e o Brasil entra nesse tabuleiro com vantagem competitiva ao possuir reservas estratégicas e capacidade de expansão produtiva.