Líderes internacionais reagem à escalada de repressão no Irã
Iranianos no exílio pedem democracia
Líderes europeus reagiram à escalada de repressão no Irã.
As reações geopolíticas são peças-chave para entender o mapa de alianças e rivalidades em torno do Irã.
A Rússia, aliada histórica dos aiatolás, não disse uma palavra sobre a repressão violenta contra os manifestantes. Afirmou que vai continuar fazendo negócios com o Irã. O governo chinês disse que espera que o governo e o povo iraniano consigam superar as dificuldades, e manter a estabilidade nacional.
Já os europeus têm feito críticas contundentes à violência do regime iraniano. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean Noel Barrot, disse que a repressão atual pode ser a mais violenta da história recente do Irã.
O primeiro-ministro britânico chamou a repressão de "repugnante". Keir Starmer declarou que o contraste entre a coragem do povo iraniano e a brutalidade de seu regime desesperado nunca foi tão evidente.
Os protestos, que começaram no Irã, já se espalharam por várias partes do mundo. Em Londres, um grupo foi até a sede do governo, em Downing Street, para demonstrar apoio ao povo iraniano. Eles também pedem o fim do regime dos aiatolás e uma punição pela repressão violenta nas ruas.
Os manifestantes pediram que o governo do Reino Unido reconheça a Guarda Revolucionária do Irã como um grupo terrorista. O Mohamed lembrou que muitos que estavam ali tiveram parentes assassinados pelo regime. E afirmou que a única solução possível é com liberdade e democracia.
Uma das pessoas à frente do protesto é a Leila. Ela é iraniana, mas fugiu do país depois que o marido - um ativista de oposição - foi assassinado em Teerã. O ano era 1988. O filho deles, na época, tinha só 3 anos.
A Leila diz é contra uma intervenção militar americana. Mas disse que o apoio de países ocidentais encoraja os manifestantes a continuarem nas ruas.
O especialista em relações internacionais Oliver Stuenkel diz que a oposição no Irã não tem uma liderança clara.
"Então essa divisão, essa oposição profundamente fragmentada, dificulta muito o trabalho daqueles que querem superar ou que querem mudança de regime. E vale lembrar, há tensões profundas entre grupos oposicionistas".
Uma parte da oposição pede a volta da monarquia, que foi derrubada pela Revolução Islâmica, em 1979. E que também perseguiu opositores.
"O filho do último Shah, o Reza Pahlavi, está bastante atuante nos Estados Unidos, mas ele não esteve no Irã desde a queda da monarquia. E para muitos manifestantes, ele não possui nenhuma legitimidade. Além disso, temos grupos que querem a criação de um sistema laico democrático a partir de mudanças lideradas por oposicionistas dentro do país", diz Oliver Stuenkel.
É essa a via que a Leila defende. "Os iranianos querem um país democrático, plural e secular. E isso vai acontecer".FONTE: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2026/01/14/lideres-internacionais-reagem-a-escalada-de-repressao-no-ira.ghtml