Crianças morrem de coqueluche na Terra Yanomami e associação cobra ação do Ministério da Saúde

  • 19/02/2026
(Foto: Reprodução)
Indígenas Yanomami internados no hospital de Surucucu, na Terra Yanomami, no dia 19 de fevereiro Urihi/Divulgação Crianças morreram após serem diagnosticadas com coqueluche na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. O Ministério da Saúde divulgou nessa quarta-feira (18) que registrou ao menos oito casos da doença na região do polo base de Surucucu. Segundo Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y), responsável pela saúde no território, foram três mortes. No entanto, a Urihi, associação indígena que atua em Surucucu, contestou o dado e afirma que, ao todo, cinco crianças morreram — duas eram de Aracik e uma de cada uma das comunidades de Yarima, Parima e Wathou. (Leia a nota na integra abaixo). 👉 A coqueluche, também conhecida como "tosse comprida", é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. Os sintomas são crises de tosse seca e intensa que podem levar ao vômito, sendo mais grave em bebês menores de seis meses, onde pode causar complicações sérias e, por vezes, a morte. A prevenção é feita principalmente pela vacinação. O presidente da Urihi, Waihiri Hekurari, acusa o Ministério da Saúde de não ser transparente em relação ao atual cenário da doença no território e cobrou medidas emergenciais. "Estamos acompanhando a situação e fizemos um ofício pedindo esclarecimentos sobre o que está acontecendo, além da apresentação de um plano de contingência e de bloqueio. A situação pode não estar ocorrendo apenas em Surucucu, mas em outras regiões do território Yanomami", disse Hekurari, acrescentando que "mais de uma vez o Ministério da Saúde não está sendo transparente". O Ministério da Saúde foi procurado pelo g1 acerca das declarações da Urihi e aguarda resposta. 👉 Surucucu concentra um dos principais polos de atendimento de saúde no território Yanomami e abriga o Centro de Referência em Saúde Indígena Xapori Yanomami, unidade inaugurada em 2025 e atende 12 regiões, que reúnem quase 200 comunidades. LEIA TAMBÉM: O que é coqueluche? Aumento de casos da doença no Brasil e no mundo reforça importância da vacinação Terra Yanomami segue sob ameaça 3 anos após emergência; lideranças denunciam garimpos Dsei-Y diz que acompanha Em nota divulgada nessa terça, o Ministério da Saúde informou que todas as pessoas com suspeita de coqueluche e os contatos próximos dos pacientes estão em tratamento e sendo acompanhados pelas equipes médicas. A situação é acompanhada pelo Dsei-Y, em Boa Vista. Ainda de acordo com o Ministério, foi enviada uma equipe, de forma emergencial, ao território. A equipe inclui um médico, técnico de enfermagem, enfermeiro e socorrista que devem atuar na unidade de Surucucu. Atualmente, há um bebê Yanomami de três meses internado no Hospital da Criança Santo Antonio, em Boa Vista, segundo a prefeitura da capital, responsável pela unidade. Não há casos em UTI. Além disso, há outras duas crianças não indígenas com coqueluche no hospital. Em 2024, não houve crianças internadas com coqueluche. Em 2025, foram registrados 8 casos confirmados de internação por coqueluche no hospital. "Foi emitido um alerta epidemiológico no dia 13 de fevereiro. O documento tem como intuito reforçar as medidas de vigilância epidemiológica nos serviços de saúde", informou a secretaria Municipal de Saúde. O presidente da Urihi, Waihiri Hekurari Yanomami, afirmou que as mortes comprovam que a emergência sanitária Yanomami continua. "A avaliação é de que, sem acompanhamento, mais crianças podem morrer. As vítimas são, em sua maioria, bebês com poucos meses de vida. A emergência sanitária na região continua", afirmou Hekurari. Terra Yanomami Lideranças denunciam garimpos ativos e falhas graves na saúde Yanomami Localizada no Amazonas e em Roraima, a Terra Indígena Yanomami tem quase 10 milhões de hectares. No território vivem mais de 31 mil indígenas, distribuídos em 370 comunidades. O povo Yanomami se divide em seis subgrupos linguísticos da mesma família: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma. O território está em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, após a posse do presidente Lula (PT), iniciou ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e de cestas básicas, além do reforço das forças de segurança na região para frear o garimpo ilegal. Nota da Urihi A Urihi Associação Yanomami informa que, desde o dia 13 de fevereiro de 2026, está acompanhando de forma direta a situação sanitária na região de Surucucu. Na ocasião, o presidente da Urihi esteve presente no território para verificar pessoalmente as condições e prestar apoio às comunidades afetadas. Desde essa data, já foram confirmados 5 óbitos causados por coqueluche. Além disso, permanecemos acompanhando outros 7 pacientes que se encontram internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) - Boa Vista/RR, bem como demais casos que seguem em internação hospitalar em Surucucu e sob monitoramento. A situação é extremamente preocupante e está relacionada, entre outros fatores, à falha na cobertura vacinal da população Yanomami contra a coqueluche, o que aumenta significativamente o risco de agravamento e disseminação da doença, especialmente entre crianças. Diante desse cenário, a Urihi Associação Yanomami permanece em estado de alerta, acompanhando a evolução dos casos e adotando todas as medidas cabíveis para a proteção das comunidades. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/02/19/tres-criancas-morrem-por-coqueluche-na-terra-yanomami.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Vontade de morder

Simone e Simaria r Zé Felipe

top2
2. Termina comigo antes

Gustavo Lima

top3
3. Casa Revirada

Arthur Aguiar, Matheus & Kauan

top4
4. toma toma vapo vapo

Zé Felipe e mc Danny

top5
5. mey

Slowly

Anunciantes