Aparência de Ana Paula Renault no BBB26 levanta debate: procedimentos indicam pele saudável?
06/02/2026
(Foto: Reprodução) Ana Paula Renault está no 'BBB 26'
Globo/Manoella Mello
A volta de Ana Paula Renault ao BBB26, dez anos após sua primeira participação, voltou a alimentar a curiosidades sobre cuidados com a pele e envelhecimento. Comentários que apontam que ela rejuvenesceu ou que o "tempo parou" para ela se multiplicaram, acompanhados de dúvidas sobre quais procedimentos estéticos ela teria feito, qual seria sua rotina de cuidados com a pele e mesmo se todas as mulheres poderiam ter uma pele igual a dela.
Especialistas ouvidos pelo g1 explicam quais intervenções são mais comuns, quando são indicadas e por que aparência nem sempre é sinônimo de saúde da pele.
Segundo informações divulgadas em conjunto com a médica responsável, Ana Paula Renault realizou os seguintes procedimentos:
preenchimento labial
procedimentos para estímulo de colágeno e firmeza da pele
tratamentos a laser para uniformizar textura e tom
aplicação de toxina botulínica no terço superior do rosto e no pescoço.
O custo do conjunto de procedimentos pode ultrapassar R$ 23 mil. Apesar de divulgado por médicos no Instagram, a propaganda e o anúncio de valores é controversa e não segue as diretrizes da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame). (Entenda mais abaixo)
Aparência não é sinônimo de saúde da pele
Especialistas reforçam que procedimentos estéticos podem melhorar a aparência, mas não garantem, por si só, uma pele saudável.
“Procedimentos estéticos melhoram a aparência, mas pele saudável envolve barreira cutânea íntegra, inflamação controlada, rotina adequada e fotoproteção consistente. É possível realizar muitos procedimentos e, ainda assim, ter a pele sensibilizada ou com doenças dermatológicas, se não houver cuidado adequado”, explica Sarah Thê Coelho, dermatologista pós-graduada pelo Hospital Albert Einstein em Laser, Cosmiatria e Procedimentos Estéticos.
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Para a médica, a saúde da pele está ligada ao equilíbrio funcional. “Pele saudável é aquela com a função de barreira preservada, boa hidratação, menor reatividade, pigmentação relativamente homogênea e ausência de doenças ativas. Isso não significa perfeição ou ‘pele de filtro’”, ressalta.
Envelhecimento e procedimentos estéticos
O Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, de acordo com relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), divulgado em 2024. Foram mais de 2 milhões de procedimentos cirúrgicos realizados. O país também aparece em segundo lugar no ranking de procedimentos não cirúrgicos, atrás apenas dos Estados Unidos.
A dermatologista Fernanda Mattar observa o crescimento do chamado gerenciamento do envelhecimento. “A procura por procedimentos que buscam manter a naturalidade ao longo dos anos tem aumentado. Iniciar os cuidados em uma fase mais precoce ajuda a evitar intervenções mais drásticas no futuro”, comenta.
Ela acrescenta que os procedimentos devem estar associados a um estilo de vida equilibrado, com alimentação adequada, evitar tabagismo e consumo excessivo de álcool, além de sono de qualidade e uma rotina de skincare apropriada.
Procedimentos como toxina botulínica, preenchedores, tecnologias de estímulo de colágeno e tratamentos para textura e manchas estão entre os mais procurados atualmente. Essas técnicas buscam oferecer melhora visível com menor tempo de recuperação.
O problema, alerta a dermatologista, surge quando a indicação não é adequada. “Usar volume para tratar flacidez, por exemplo, pode gerar resultados artificiais”, adverte.
Skincare substitui procedimentos estéticos?
Uma rotina de skincare (cuidados com a pele) bem orientada pode melhorar a qualidade da pele ao longo do tempo, incluindo textura, luminosidade, manchas leves e linhas finas. No entanto, segundo as especialistas, ela não substitui intervenções que atuam em camadas mais profundas.
Ana Paula também participou do BBB 16.
Reprodução/ X
“Skincare não substitui procedimentos que tratam relaxamento muscular, reposição de volume ou estímulo profundo de colágeno. O ideal é que ele seja a base, e os procedimentos funcionem como complementos estratégicos”, pontua Sarah.
Pressão estética e divulgação de procedimentos
O aumento da busca por procedimentos também levanta discussões sobre pressão estética, especialmente entre mulheres a partir dos 40 anos. A exposição de resultados nas redes sociais pode criar expectativas irreais.
A divulgação desses tratamentos segue regras específicas. O artigo 9° da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame) determina que os procedimentos são individualizados e dependem de avaliação prévia em consulta médica. Por isso, não é permitida a precificação antecipada, já que a prática pode ser considerada sensacionalismo e autopromoção.
“Todo conteúdo precisa ter cunho educativo, com fundamento científico, levando informação à população, e não apenas apelo comercial. O médico tem o compromisso de explicar como o procedimento funciona, falar dos riscos e contextualizar os resultados”, afirma Ariane Vilas Boas, advogada especializada em Direito Médico.
Para quem pensa em realizar algum procedimento, Sarah Thê Coelho reforça a importância da avaliação profissional. “É essencial analisar quem vai realizar o procedimento, se há diagnóstico e indicação corretos, os riscos individuais e a qualidade dos produtos utilizados. Um procedimento estético seguro começa sempre com uma avaliação médica criteriosa”, conclui.